Arquivo | novembro, 2009

Che – O Filme

11 nov
 

Foto de internet

Recentemente assisti ao filme Che – O Argentino, com a direção de Steven Soderbergh e mais uma vez a figura do revolucionário despertou minha admiração. Não pelo guerrilheiro que foi, mas pelo homem justo e apaixonado que o fez combatente. Em uma das cenas do filme, ao ser questionado por uma jornalista, Che fala sobre o maior combustível para que se vença uma guerrilha, o amor. A partir de então, sentimentos diversos invadiram meus pensamentos, o principal? Confusão.

Como o amor desperta ações tão diferentes e como, deste sentimento, brotam resultados fabricados por pessoas tão divergentes. Me pergunto onde estaria o amor em meio a guerrilhas, fuzilamentos e outras barbáries que só uma guerra pode produzir? Dentro dos homens. O amor é inerente ao ser humano, mesmo que praticando atos cruéis. Apenas um sociopata não possue sentimentos, mesmo assim ainda pode fingir muito bem.

Não defendo guerras em nome do amor, nem qualquer tipo de crueldade. O que acontece é que pode existir amor em meio a guerra. Dadas as devidas proporções, os guerrilheiros que estavam lado a lado com Guevara, eram movidos pelo amor a uma causa, a defesa de um povo. O filme é baseado em um diário escrito por Che, que por coincidência, eu possuo em casa. É inspirador, ler sobre alguém que deu a vida por uma causa. Ele pode ter lutado com ferramentas que eu não usaria, como as armas, mas acreditou em algo se engajou até as últimas consequências para defendê-la.

Como tive o convívio com diversas pessoas que deixaram tudo para viverem uma vida pobre, em defesa de uma vida missionária para ajudar a humanidade, posso dizer que o Che se assemelha a eles. Logicamente lutando com armas diferentes. A prova disso é a resposta a uma jornalista quando questionado se gosta das mulheres.

“… sou um convencido de que tenho uma missão que cumprir no mundo, e em prol dessa missão tenho que sacrificar o lar, tenho que sacrificar todos os prazeres da vida diária de qualquer sujeito, tenho que sacrificar minha segurança pessoal e talvez tenha que sacrificar minha vida. Mas é um compromisso que adiquiri com o povo e penso, sinceramente que já não posso me desligar dele até o fim de minha vida”. Essa é resposta que muitos missionários dariam ao serem alvo do mesmo questionamento.

Sua humildade, retratada fielmente no filme, mostra como sentimentos ditos reservados para os fracos, como a obediência, são determinantes para a formação de um homem. Nos primórdios da guerrilha o Che era designado para executar tarefas pouco ativas como cuidar de feridos e atender os povoados por onde passavam. E mesmo assim, ele achava que estava guerreando. E de fato estava pois, onde se precisa de um guerrilheiro ele deve estar lá, dizia Che.

Volto a dizer, dadas as devidas proporções, será que um pouco deste desejo, deste angajamento não seriam suficientes para dar um jeitinho neste país? Por que um missionário ou um guerrilheiro sentem algo tão diferentes de um político quando querem defender um povo? Volto a repetir uma das falas do filme quando menciona o amor. Sem amor não existe causa, não existe engajamento.

Termino aqui dizendo que a vida dele questiona todo o comportamento de uma humanidade. E que o amor que ele sentia pelo povo dele e por sua causa são sim, dignos de admiração. Principalmente por sua morte, agonizante. Diferente de todo o tratamento que o próprio Che conferia aos seus prisioneiros de guerra. Um morte desumana foi o que restou para um homem como ele, mas o seu legado inspira pessoas até hoje. Este diário lembra muito outro grande escrito que tem mais de 2000 anos de existência.

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A televisão me deixou burra

11 nov
 
A falta do que fazer pode ser produtiva se canalizada para algo bom, além de amaciar a cama ou o sofá. Duas semanas atrás resolvi me privar de um vício costumeiro simplesmente para sentir as reações provocadas pela abstinência. E senti, e foram boas! Uma delas foi a criação deste blog que gostaria de alimentar mais vezes e a criação de algumas manias para suprir a necessidade hipnotizante de assistir televisão.

Além de voltar para minhas aulinhas de inglês adotei um hobby interessante. Assistir a filmes antigos. São clássicos que passeiam entre o brasileiro O Assalto ao Trem Pagador (1962) , Papillon (1973) até Uma Linda Mulher (1990). Isso mesmo, nenhum critério. Até porque não sou crítica de cinema, apenas quero passar o tempo e canalizar a falta de um vício emburrecedor.

Amadora como sou, gosto de ver os atores quando eram mais novos e rir de como as cenas eram feitas antigamente. Os tiros, voz dos atores, a atuação. Comentários como “nossa olha o Justin Hofman como estava novinho”, “esse ator já morreu” ou “a Julia Roberts estava bonita, agora só a plástica segura” surgem a todo o minuto.

Mas também consigo entender que o roteiro de o Trem Pagador foi bem costuradinho, prende a atenção das pessoas por iniciar já com o assalto, provocando a curiosidade para saber o que vem depois já que o clímax suposto já foi atingido. Assim como posso supor que Papillon serviu de inspiração para muito filminho hollyoodiano de fuga de prisão.

Como disse antes, não sou crítica, apenas uma viciada em Friends e na novela das 8h que começa às 9h. Rita Lee é que estava certa sobre a televisão. Pois é, abstinência de Tv DEU POST.

 

Minha Carta ao Pai

11 nov

 

Correria às lojas de esportes, de roupas masculinas, pastas de couro, sapatos de grife. Para os metidos a garotinhos vai um boné de marca e uma blusa Pólo da Lacoste. Para os mais simples um abraço tímido e uma carta como esta.

Esse é o Dia dos Pais, data melindrosa mas importante para homenagear uma pessoa determinante para a vida de muitos. Para a minha pelo menos foi. Não me rendi (este ano) à pressão costumeira do consumismo, fiquei no abraço tímido e uma carta como esta. Mas refleti muito sobre o dia.

Pensei que o pai é responsável por dar conselhos. Lembrei que se conselho desse dinheiro, muitos pais estariam ricos e outros falidos. Lembrei que se o dinheiro da mesada fosse usado para comprar o conselho dos pais, existiriam filhos com a poupança cheia e outros sem nenhum tostão. Lembrei também que se o pai fosse o apoio da vida dos filhos, existiriam filhos jogados no chão até hoje e outros com a segurança de um castelo.

Lembrei que se pai não errasse nunca, não existiriam mães solteiras, conselhos tutelares e filhos carentes de atenção.

E todas essas reflexões serviram para uma coisa. Para os pais que nunca desistam de aconselhar seus filhos, porque sabemos ignorá-los muito bem e refletir sobre eles depois.

Não duvidem da importância da paternidade, pois se falta demonstração dos filhos não significa que o reconhecimento não exista da parte deles e talvez a recíproca também seja verdadeira.

Para os pais que se sentiram tristes hoje por não receberem cartas como esta, presentes, homenagens ou uma ligação carinhosa. Será que essas demonstrações são de fato o que prova o amor de um filho por vocês. Se for, tem alguma coisa errada. Deve haver detalhes importantes passando despercebidos.

Para os filhos que têm pai, nunca desistam de amar os pais difíceis e amem os fáceis. Ouçam, convivam. Ajudem os que precisam e larguem de mão os não querem, por esses o espírito da paternidade passou longe e só Deus dá jeito.

Para os que não tem pai, procurem um. Sabemos que nem sempre o que gera é o que detém o título de pai.

Para os comerciantes. Ta na hora de criar o dia do filho. Existem muitos pais por aí querendo homenagear seus filhos e não tem data pra isso. Brincadeiras a parte o lema é aproveitar o dia como desculpa para estar junto e registrar o momento.

Feliz Dia Dos Pais