Arquivo | novembro, 2010

Paul McCartney: nostalgia involuntária

23 nov

 

Paul (o sósia) e Ringo (o morto)

Terminou nesta segunda-feira (22), a turnê de Paul McCartney no Brasil, o único ainda vivo dos Beatles. Como assim o único? Fazendo uma enquete informal com pessoas próximas, entre designers, jornalistas e empresários, a dúvida permaneceu. Ringo Starr ainda vive? Bem, ao menos musicalmente o único sobrevivente é mesmo Sir Paul. Mas essa questão de Beatle vivo ou morto, nunca foi muito levada a sério pelo mercado e muito menos pelos Beatlemaníacos, já que o próprio Paul McCartney já estaria morto desde os anos 1966, quando supostamente teria sido decapitado em um acidente de carro. Reza a lenda que o atual Paul é um sósia, provado e comprovado pelo jogo de mensagens subliminares deixadas por Jonh Lennon, na capa do CD Abbey Road, lançado em 1969.

A lenda “Paul is dead” atravessou gerações assim como o próprio sósia, Paul, ou não. O que importa é que vivo ou morto ele esteve aqui no Brasil e emocionou a todos.  Confesso que assisti por acaso para conferir o show na totalidade, não apenas para ver o Maccartney, como fez a grande maioria. Quis ver mais a pirotecnia, o palco medindo o equivalente a oito andares, superando a estrutura do mega show da Madonna e por último, a atração principal.

Falando em superar Madonna, alguém aí lembra que ela também caiu na apresentação que fez aqui no Brasil? Paul chegou ao Treding Topics do Twitter, devido a sua queda no final do primeiro show no Morimbi, no último domingo. Queda que levou agarrado na bandeira do Brasil e que nem quis disfarçar, como fez Madonna. Simplesmente levantou sorrindo, com o traseiro dolorido e balançando a bandeira verde e amarela. Um luxo!

Voltando ao assunto do show, acabei sucumbindo à nostalgia. Afinal, o sósia de Paul McCartney, segundo a lenda, é uma simpatia. Já ganhou simpatia de muitos desde o camarim, que pediu para ser decorado com fibras naturais, por ser defensor dos animais. Tudo da mais alta simplicidade. Fora isso, foi emocionante ver gerações de famílias entrando juntos para o show. Incrível isso. Fora a simplicidade de Paul que, apesar de ser quem é, não apresentou, nem durante o espetáculo e muito menos na estadia em São Paulo, aquele semblante de artista internacional que deixa subentendido: “estou no Brasil fazendo um favor a vocês”. Arzinho este notado facilmente em Madonna (os fãs que me desculpem).

Paul acenou para os fãs na entrada do estádio, levou umas frases em português para serem lidas durante o show e dialogou por várias vezes, tentando se fazer entendido seja em inglês ou em português. Isso sempre agrada o público é bem verdade, principalmente aqueles que pagaram em média R$ 600 para curtir o ex-Beatle. Esses momentos de integração, ídolo-fã durante as apresentações, mesmo em outra língua, causam sempre uma boa impressão, mesmo que a grande maioria não entenda nada. Quem nunca gritou “ehhh” depois de uma frase totalmente sem sentido de um ídolo? Enfim, Sir Paul foi adorável. Quem vai esquecer: “Está música eu fiz para minha gatinha”, frase dita pelo cantor antes da música My Love?

Com uma banda unida há 10 anos, Sir Paul Maccartney deslizou no palco demonstrando uma tranqüilidade digna de quem está nas paradas de sucesso desde os anos 60. Algumas desafinadas, já denunciavam o vocal falho do ex-Beatle que em nada incomodou a multidão presente no estádio. Foi uma performance invejável, com troca de instrumentos constantes e uma energia de dar inveja. Gostei muito do show televisionado pela Rede Globo (quem não tem cão, caça com gato). O que posso dizer é que, sósia ou não, beatlemaníaca ou não, Paul McCartney ganhou minha simpatia. E mesmo que não tivesse ganhado, quem se importa? Um sósia que conseguiu enganar gerações de Beatlemaníacos no mundo inteiro, até hoje, pode conseguir qualquer coisa.

U-hu! Móveis Coloniais de Acaju

20 nov

“Nós tentamos cultivar uma relação estreita com o público durante nossos shows. O investimento maior da banda é o público, isso é o que mantém um grupo”.

 

Coletiva para imprensa no Festival Mundo

E alguém duvida dessas declarações do André Gonzáles, vocalista da banda brasiliense Móveis Coloniais de Acaju? Você que não assistiu ao show do grupo no Festival Mundo 2010, que aconteceu em João Pessoa, na semana passada, pode até duvidar, mas para quem esteve lá e curtiu a apresentação, isso é inquestionável.

 

O vocalista da banda parece o garoto propaganda daquele brinquedo dos anos 80, o pogobol, ao entrar no palco. Ele cria coreografias, anima o público, desce do palco para dançar, agacha levanta, bate palmas… é uma festa contagiante que não deixa ninguém parado. O vocalista também passa essa energia ao cantar as músicas com gosto e gás. Haja pulo! Provando que o grupo gosta mesmo é de se apresentar e de mexer com a plateia.

 

André Gonzáles dando seus pulos em Brasília

 

Móveis Coloniais de Acaju foge do estereótipo de bandas que tem como berço a capital do rock brasileiro, de onde surgiu grupos como Raimundos, Plebe Rude, Legião Urbana e Capital Inicial. Nada de camisa preta, gritos e guitarra pesada, não que isso seja ruim, mas o Móveis propõe algo, além disso. A junção de vários estilos como música brasileira, rock, ska e ritmos do leste europeu fazem da sonoridade da banda uma “feijoada bulgara”, como já definiram os membros da banda em algumas entrevistas.

 

Confirmando o ditado popular, “Santo de Casa não faz milagres”, a banda também enfrentou a falta de reconhecimento em sua cidade de origem no início da carreira. Mesmo assim, o Móveis não nega suas raízes.  “A gente é o reflexo da cidade que a banda nasceu (Brasília) apesar de não estar explícito”, disse o tecladista, Eduardo Borém que toca gaita cromática, teclados e a escaleta.

 

Com uma média de 60 shows por ano, os músicos não esperavam que o sucesso chegaria tão rápido. A “ficha caiu” após serem escolhidos para abrir o BMF (Brasília Músic Festival), em 2003, onde tocaram no mesmo palco que Simply Red e Alanis Morissette. “A banda teve que se munir de produtores, assessores de imprensa, literalmente da noite para o dia . Por isso essa apresentação no BMF foi o divisor de águas da nossa carreira”, disse, André Gonzáles.

 

O mesmo aconteceu quando souberam que o single, O Tempo, iria fazer parte de uma novela Global. “A gente achou que era trote, quando soubemos que a música ia tocar em Araguaia”, disseram quase ao mesmo tempo, entre risos.

 

A banda vai tão além do que é oferecido pelo cenário musical, mais parece um movimento cultural, com festival próprio, lojinha de acessórios e uma agenda que engloba festivais pelo Brasil e Europa. O Móveis Convida, é um festival criado por eles, realizado grande parte em Brasília, que entre 2005 (1ª edição) e 2009 (mais recente em abril) já reuniu mais de 20 bandas, inclusive a renomada Los Hermanos. Tudo isso para um público médio de quatro mil pessoas.

 

E por falar em público os componentes da banda revelaram um carinho especial pelos nordestinos, considerados uma plateia fiel e empolgada. Simpatia adquirida nas apresentações, também fiéis, da Banda no Carnaval de Recife, no Abril pro Rock e no Encontro para a Nova Consciência. A Banda Paralamas do Sucesso, do vocalista paraibano Herbert Vianna, foi citada como a preferida em comum do grupo e também pode ser considerada mais um pesinho no nordeste.

 

Música Adeus - Encerrando a apresentação no Festival Mundo

Seja qual for a região, o som de Móveis para se ouvir no carro, antes de dormir ou para relaxar. Está mais para playlist de uma comemoração, festa de formandos, aniversário, emprego novo, ou para um dia de faxina na casa, como definiu uma amiga, ainda sob o “efeito Móveis” pós-shows. Fico imaginando um reveillon com Móveis. É para entrar o ano com o astral nas alturas. Produtores, de todo o Brasil, fica a dica! Chega de festa da virada com axé, a moda agora é Móveis Coloniais de Acaju. U-hu!

Quer conferir o astral do grupo? Veja o vídeo gravado no encerramento do show da banda no Festival Mundo 2010. No site oficial do grupo, está disponível o Album virtual C_mpl_te para quem quiser baixar. Divirtam-se!

Varadouro Groove Orchestra: Sinergia de ideias

15 nov

Marcondes Orange, Nildo Gonzales e Rayan Lins

Mesmo com o youtube, o twitter entre outras redes sociais que disseminam experiências musicais e culturais das mais variadas vertentes possíveis, a Varadouro Groove Orchestra conseguiu surpreender em vários aspectos. A proposta de juntar 10 baterias tocando simultaneamente, acompanhados de dois trombones, uma guitarra e um baixo é no mínimo inusitada.

A Orchestra nasceu de um projeto despretensioso de seus integrantes, com data marcada para terminar, em uma única apresentação. A abertura do Festival Mundo 2010 que aconteceu no último dia 13 de novembro, logo na entrada da Usina Cultural Energisa, com o propósito de recepcionar o público nas primeiras horas de festival, foi o palco da primeira apresentação do grupo. “Nos reunimos três meses atrás para começar os ensaios para esta apresentação única. Mas a repercussão na mídia nos leva a pensar em outras apresentações”, disse Nildo Gonzales, membro da orquestra.

Uma banda normal com bateria, baixo, guitarra, alguns metais e o vocalista até pode caber numa van ou “no porta-malas de qualquer celtinha”, como disse Rayan Lins, outro membro do grupo. Mas a verdade é que a logística para fazer acontecer uma apresentação da Varadouro, exige uma certa preparação antes. “A Varadouro Groove é nosso projeto paralelo. Todos os integrantes do grupo possuem outras ocupações. Mas qualquer produtor interessado em alguma apresentação nossa, é só se planejar com antecedência, afinal 10 baterias não cabem em qualquer carrinho”, disse Rayan.

Uma bateria incomoda muita gente, imagina 10. Quando questionados sobre o motivo de escolherem a bateria como carro chefe da orquestra, Nildo buscou explicação nos ancestrais. “A percussão está enraizada nas nossas origens, na identidade musical do nosso povo. Nossos descendentes africanos e indígenas é que nos deram isso. Além disso, todo mundo já fez muita coisa, mas juntar 10 baterias para formar o som de uma só é mais difícil”, explica o músico.

O groove e o varadouro de onde vieram? Perguntou esta jornalista que vos escreve. “Varadouro é o nome do bairro onde cidade nasceu e onde o grupo também nasceu. Além disso, grande parte dos membros do grupo trabalham, ensaiam e vivem mais no Varadouro do que em casa. O próprio Coletivo Mundo fica no Varadouro. Este bairro ainda se tornará o berço da cultura independente na Capital. E groove somos nós”, brincou Rayan.

Juntar mais de 10 músicos batucando ao mesmo tempo e conseguir atrair um público cativo parece impossível, mas para esta galera não pensa assim. “A música não precisa de tanta “firula” para agradar o público. A Varadouro Groove Orchestra está aí pra mostrar que qualquer criança pode tocar bateria, é simples, é música”. Com esta declaração de Nildo Gonzales terminamos esta matéria com os descontraídos membros da Varadouro Groove Orchestra. Abaixo segue o link da apresentação na abertura do Festival Mundo 2010.

1ª Apresentação da Varadouro Groove Orchestra, no Festival Mundo 2010

A Varadouro Groove Orchestra, Deu Post!

 

A Retomada na cobertura do Festival Mundo 2010

15 nov

Após meses em hibernação, eis que o Deu Post ressurge em grande estilo. Se a proposta do blog é dialogar com cultura sob o olhar de uma jornalista no mínimo curiosa sobre o tema, não tinha lugar melhor para recomeçar do que o Festival Mundo 2010.

Além da própria intenção do evento que é reunir e servir de vitrine para as bandas do cenário alternativo da Paraíba e do Brasil, o que já é fascinante, existe a mágica de cobrir cultura que se configura uma tendência e uma vontade inicial deste despretensioso blog.

O evento em si proporciona uma ótima estrutura para facilitar qualquer cobertura jornalística, seja para site, blogs, jornais e até para televisão disponibilizando sala de imprensa, assessores competentes e organizados. Não deixa a desejar a nenhum outro festival. Mais um indício de que o Coletivo Mundo está se profissionalizando cada vez mais. E essa não é uma opinião só minha. Nas coletivas de imprensa que as bandas concediam aos jornalistas e blogueiros, o comentário era o mesmo.

Foto de ensaio da Varadouro Groove para o Festival

O Festival em si, para quem curte o cenário alternativo e fora do eixo, tudo é mágico. E para quem não curte também. Era só observar a diversidade de público presente. A abertura do evento trouxe a Varadouro Groove Orchestra, com 10 bateristas, que se juntaram com o único propósito de ensaiar para a ocasião. Mas o sucesso e a inovação foi tamanha que o projeto meteórico parece que vai ter vida longa. Em breve post sobre a Varadouro Groove Orchestra aqui no Deu Post.

Fora os shows com uma programação para agradar de pessoas metaleiras àquelas que curtem música instrumental, também vale a pena conferir a Exposição Coletiva de Artes V, além das projeções de vídeos do Tintin Mostra Mundo,  que unem imagem, apresentação de bandas e discotecagem ao vivo.

Realizado pelo Coletivo Mundo – que faz parte do Circuito Fora do Eixo – o Festival Mundo 2010, que está acontecendo entre os dias 13 e 15 de novembro, na Usina Cultural Energisa vai queimar a língua de muito paraibano despeitado com sua própria terra. Chegando a sua sexta edição, cada vez mais ganha espaço no imaginário coletivo da Capital. Além de estar fazendo jus à proposta de fomentar um mercado cultural independente local e criar espaços para consumo e circulação desta produção.

Festival Mundo 2010, Deu Post!