Do belo ao trágico: Salgueiro leva o cinema para a Sapucaí mas faz um desfile desastroso

8 mar

O Início de um belo desfile

Nunca torci tanto por uma escola de samba do Rio de Janeiro que não fosse a Mangueira. Filha de pai carioca e mãe amazonense cresci em meio a uma mistura cultural de samba com boi-bumbá. Sempre fui Mangueira no Carnaval e Caprichoso no Festival Folclórico de Parintins. Mas em 2011, o desfile da Salgueiro com o enredo “Salgueiro apresenta, o Rio no cinema” conquistou meu coração e o de todos na Marquês de Sapucaí.

O carro abre-alas levou à Sapucaí, uma réplica fiel de uma sala antiga de cinema, com cadeiras verdadeiras trazidas de Brasília. No telão do cinema eram exibidas as reações da plateia filmadas ao vivo. O público participou da composição da Escola. Em Parintins a participação da plateia conta pontos para a agremiação. Aos poucos o Carnaval do Rio vai absorvendo este conceito do Festival de Patintins, assim como a técnica dar movimento aos carros alegóricos, que também foi desenvolvida pelos artesãos da ilha no meio do Amazonas.

O desfile retratou grandes filmes gravados utilizando o Rio como cenário, a exemplo de “Madame Satã”, representado pela Escola por um carro alegórico simulando o cabaré do filme, com clientes e concubinas em seu interior. O filme Carlota Joaquina – representado pela ala das baianas, Orfeu e os filmes de Carmen Miranda foram lembrados no desfile. O enredo também retratou as diversas fases do cinema brasileiro como as chanchadas.

270 ritmistas. Com este contingente a bateria relembrou o filme Tropa de Elite e levou os ritmistas a se fantasiarem com a farda do BOPE. Viviane Araújo, rainha da bateria, era o Coronel Nascimento. Muita emoção entre os integrantes da bateria, mulheres chorando de emoção, dava literalmente o tom e o ritmo da Escola e arrepiavam o telespectador.

Segundo informações de sites especializados, o desfile teve um patrocínio de cerca de R$ 5 milhões da Fox Film do Brasil e foi plataforma para o lançamento do filme ‘Rio 3D’, animação produzida pelo diretor de ‘A Era do Gelo’, Carlos Saldanha. Cenas do filme eram projetadas no telão do abre-alas no início do desfile que tinha tudo para dar certo.

A mais bela e problemática alegoria do Salgueiro em 2011

King Kong. Tudo estava encantador, como de fato é o cinema. Mas sucessivos problemas começaram a aparecer. O carnavalesco Renato Lage criou carros alegóricos esplendorosos, luxuosos e … enormes. Sua megalomania foi a causadora do atraso de 10 minutos no desfile do Salgueiro. O carro que trazia um King Kong acoplado à torre da Central do Brasil era gigante e causou um atraso decisivo para a Escola. Os problemas continuaram com o último carro que trazia um lindo Oscar à moda brasileira. Uma Belíssima alegoria que teve problemas para entrar e sair do Sambódromo.

O Oscar brasileiro

Resultado. A bateria nem teve tempo para entrar no recuo, correria de integrantes e organizadores. Até a presidente da Escola, Regina Celi, vendo o sonho do título se tornar um pesadelo, literalmente desceu do salto para tentar amenizar o atraso e comandar aquele caos que se formou. Na dispersão um carro alegórico pegou fogo, alegorias se acumulavam entre integrantes. Ninguém saia do lugar. Caos, choro, decepção e tristeza. O somatório do caos foi igual à perda de um ponto, o que provavelmente tira a escola da briga pelo título.

Até para uma torcedora da Mangueira foi triste. O desfile foi nota 10. Um passeio pela história do cinema brasileiro. Creio ter faltado uma menção a Glauber Rocha, mas nada que tirasse o mérito do enredo. Assisti ao desfile perplexa e acompanhei todo um trabalho primoroso de um ano ser desperdiçado. Meu coração se dividiu em 2011, mas continuo Mangueira e apaixonada por cinema. Resta-me agora torcer pela Mangueira!

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Surpresaa! Foi o que faltou no Oscar!

2 mar

Ao contrário do resultado do 83º Academy Awards, o bolão do Deu Post teve um resultado que eu não esperava. Dois palpiteiros fecharam as apostas para o Oscar. Acertaram tudo! Astier Basílio e Renato Felix foram os grandes vencedores da noite do Oscar, assim como o sem sal “O Discurso do Rei”. Alguns devem estar dizendo: mas você votou no filme sem sal. Realmente votei. Ele era o favorito pela crítica mundial, assim como “A Rede Social”. Mas sair da cerimônia como o grande vencedor da noite foi um pouco demais para esta leiga vos escreve.  Falando em filme marcante, o prêmio cobiçado da noite poderia ter ficado com “A Origem” que me fez perder a noção e o fôlego no cinema.

A grande verdade é que a Academia tem medo de se deixar levar pelo novo. Pelo que está fora do clássico. Os palpiteiros do Deu Post, apostaram na tal tradição e acertaram. São grandes entendedores do Oscar, já acompanharam as cerimônias anteriores e realmente é difícil errar, já que a palavra de ordem é ser tradicional. Se eu fosse pelo coração só teria acertado a Natalie Portman e o Christian Bale.

Mas não foram só os resultados que ficaram no patamar do previsível. A própria cerimônia do Oscar carrega o mesmo adjetivo. São 83 anos obedecendo ao mesmo formato, ao mesmo ritual. Até a Santa Missa, deixou de ser rezada com o sacerdote virado de costas para os fiéis, em um crucial momento na história da Igreja. Por que não pode acontecer o mesmo com a cerimônia? Um pouco de modernidade, interatividade, que fosse além do que uma hastag (#oscars) divulgada nas saídas para os intervalos.

Tudo era tão chatinho que a coitada da atriz Anne Hathaway, que apresentou novamente a premiação ao lado do também ator James Franco, teve que suar a camisa, ou melhor, os vestidos para chamar a atenção. Foram oito no total, que eram acompanhados por mudanças no penteado também.  Ela deve ter ficado exausta, assim como os telespectadores, de ver a mesma coisa.  E eu ainda me martirizava por dormir em todas as apresentações do Oscar. Ainda bem que este ano, marquei de ver com uma amiga, que inclusive foi uma das palpiteiras do blog. Acompanhadas de um vinho, Carol Marques e eu, assistimos à cerimônia reclamando de quase tudo. Não é à toa que a audiência televisiva da Cerimônia caiu 7%, em relação ao ano passado, nos Estados Unidos.

Mas fiquei feliz por Natalie Portman e Christian Bale. Foram merecedores, a meu ver, absolutos. Já o Oscar de melhor ator, muitos apostaram na justificativa: Jeff Bridges já ganhou ano passado e a Academia vai dar o prêmio para Colin Firth. Parece até prêmio de consolação. Se fosse por mim, ia passar mais um ano sem ganhar o Oscar. Firth é um ótimo ator que… quase chega lá, sempre. Errei o palpite para atriz coadjuvante. Votei em Amy Adams, mas Melissa Leo também foi ótima. Merecido!

E para diretor eu realmente esperava que fosse David Fincher, por “A Rede Social” ou Christopher Nolan, por “A Origem”. Mas “O discurso do Rei” levou mais uma. Tom Hooper ficou com a estatueta de melhor diretor. Resumo da ópera? Me preparei toda, assisti aos filmes, fiquei acordada desta vez, fiz enquete no blog e … não gostei do geral. Ao menos a Natalie Portman, minha preferida da noite, foi coroada, como bem citou Karoline Zilah, em seu palpite.

Parabéns aos vencedores Astier Basílio e Renato Felix. Pela regra do desempate, quem leva o posto de melhor palpiteiro é Astier, que mandou a resposta primeiro. A brincadeira foi muito proveitosa. Conto com a participação de vocês em outras enquetes. Desculpem a opinião desta blogueira. Parece que eu desmereci a vitória de vocês criticando a Academia tradicionalista e previsível. Mas fui sincera. Vibraria mais se vocês errassem tudo e o Oscar fosse uma grande surpresa. Menos a Natalie Portman, claro.

Quem será o vencedor?

27 fev

1º Palpite: Astier Basílio

Melhor filme:
“O discurso do Rei”

Diretor
Tom Hooper, “O discurso do Rei”

Melhor atriz:
Natalie Portman, “Cisne Negro”

Melhor ator
Colin Firth, “O discurso do Rei”

Melhor atriz coadjuvante
Melissa Leo, “O vencedor”

Melhor ator coadjuvante
Christian Bale, “O Vencedor”

 

 

2º Palpite: Jimenna Rocha

 

Melhor filme:
“A Rede Social’

Diretor
David Fincher, “A Rede Social”

Melhor atriz:
Natalie Portman, “Cisne Negro”
Melhor ator:
Colin Firth, “O discurso do Rei”

Melhor atriz coadjuvante:
Amy Adams, “O vencedor”

Melhor ator coadjuvante:
Christian Bale, “O vencedor”

 

 

Palpite 3: Ana Felipe que pediu a foto do Javier Barden para homenagear seu preferido da noite

 

Melhor filme

Discurso do Rei ou Cisne Negro

Diretor

Como melhor diretor nem sempre acompanha o de melhor filme, então deve ficar com:

David Fincher, por A Rede Social


Melhor atriz

Nathalie Portman, por Cisne Negro

 

Melhor ator

Javier Bardem, por Biutiful

 

Melhor atriz coadjuvante

Melissa Leo, em O Vencedor

 

Melhor ator coadjuvante

Christian Bale, em O Vencedor

 

 

Palpite 4: Renato Felix

 

Melhor filme

‘O Discurso do Rei’. A safra deste ano está excepcionalmente boa. Vou no favorito, mas pode haver surpresas.

 

Diretor

Tom Hooper. Na esteira do prêmio de melhor filme. Ganhou o DGA, então deve ser ele mesmo.

 

Melhor atriz

Natalie Portman. O que é exigido dela e o que ela entrega está um passo acima das outras interpretações do ano.

 

Melhor ator

Colin Firth. Sua interpretação é antológica e, além do mais, muita gente acha que deveria ter ganho no ano passado.

 

Melhor atriz coadjuvante

Melissa Leo. A categoria mais difícil. Vou na favorita, que ganhou o SAG.

 

Melhor ator coadjuvante

Christian Bale. Vem ganhando tudo.

 

 

Palpite 5: André Cananéa

 

Melhor filme

“O Discurso do Rei’

 

Diretor

David Fincher (até porque já tá na hora dele ganhar um Oscar…. hehehehe)

 

Melhor atriz

Michelle Williams

 

Melhor ator

Colin Firth

 

Melhor atriz coadjuvante

Hailee Stenfeld

Melhor ator coadjuvante

Geoffrey Rush

 

 

 

Palpite 6: Karoline Zilah

 

MELHOR FILME

O Discurso do Rei – é, estou apostando que a época de A Rede Social passou, e que a Academia vai optar pelo tradicional mesmo.

 

MELHOR DIRETOR

David Fincher, A Rede Social – Aposto que será o ‘prêmio de consolação’ para A Rede Social, apesar de torcer para os irmãos Coen (Bravura Indômita) e Darren Aronofsky (Cisne Negro) e de me indignar porque Christopher Nolan (A Origem) sequer está concorrendo.

 

MELHOR ATOR

Colin Firth, O Discurso do Rei – fiquei na dúvida entre ele e Jeff Bridges… mas lembrando de ‘Coração Louco’ no ano passado e que Colin ficou a ver navios pelo seu ‘Direito de Amar’… chegou mesmo a hora dele!

 

MELHOR ATRIZ

Natalie Portman, Cisne Negro – vai ser uma bela coroação!

 

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Para mim, esta categoria é uma das grandes ‘brigas’ deste ano. Pode apostar em dois? =) Minha razão me manda apostar em Geoffrey Rush, mas o coração grita ‘Christian Bale’. Então… a aposta é…

Christian Bale, O Vencedor – Para mim, deveria ser uma dobradinha: ou dava O Vencedor nas duas de coadjuvante, ou O Discurso do Rei nas duas!

 

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Melissa Leo – O Vencedor

 

 

Palpite 7: Carol Marques

 

Melhor filme

A Rede Social – por ser o assunto do momento

 

Diretor

David Fincher

 

Melhor atriz

Natalie Portman – fico com o coração partido por Annette Benning, que foi fantástica.

 

Melhor ator

Colin Firth

 

Melhor atriz coadjuvante

Melissa Leo

 

Melhor ator coadjuvante

Christian Bale – adorei Geoffrey Rush, mas Bale deve vencer graças à dedicação exigida pelo papel, assim como Natalie.

 

 

 

Palpite 8: Samara Souza (eu)

 

Melhor filme:
“O discurso do Rei”, lindo filme meu voto é dele. Mas creio que exista muito lobby em torno do “A Rede Social”, que pode ser a zebra do ano.

Diretor
David Fincher, “A Rede Social”

Melhor atriz:
Natalie Portman, “Cisne Negro”. Apesar de ter gostado bastante da Jennifer Lawrence “Inverno da Alma”, Natalie Portman fez a interpretação da sua carreira. Minha preferida da noite.

Melhor ator
Colin Firth, “O discurso do Rei”. Não voto nele de corpo e alma não. Para ser brilhante creio que faltou um pouquinho mais.

Melhor atriz coadjuvante
Amy Adams, “O vencedor”

Melhor ator coadjuvante
Christian Bale, “O Vencedor”. Sinceramente o coadjuvante soa até ofensivo.

 

 


Palpiteiros de Plantão: Oscar 2011

27 fev
A estatueta mais cobiçada do cinema mundial

O Deu Post está todo caracterizado em homenagem à 83º Academy Awards, a entrega do Oscar, que acontece na noite desde domingo (27), a partir das 22h, horário de Brasília. E para selar a empolgação pela premiação mais tradicional do cinema mundial, resolvi fazer uma brincadeira, uma espécie de Bolão, com alguns jornalistas de editorias de cultura, alguns apaixonados por cinema, amigos e afins. Pedi para que cada um desse um palpite sobre quem levaria para casa a estatueta do Oscar 2011 nas categorias: Melhor filme, Direção, Melhor atriz e ator, Melhor atriz e ator coadjuvante.

Não existem regras para o Bolão do Deu Post. Quem acertar mais ganha. Se alguém empatar, ganha o título de melhor palpiteiro aquele que acertou a categoria de Melhor Filme. Se o acerto não acontecer ou o empate ainda perdurar, ganha aquele que enviou a resposta primeiro. As respostas chegaram seguindo a seguinte ordem: Astier Basílio, Jimenna Rocha, Ana Felipe, Renato Felix, André Cananéa e Karoline Zilah.

Vale salientar que enviei os pedidos de palpites para muitas pessoas, profissionais ou não. Alguns responderam que não estavam acompanhando os filmes e não poderiam opinar. O que faz algum sentido. Mas desde já, o Deu Post agradece a participação dos simpáticos e queridos por todos nós, que acompanhamos seus textos nos jornais e portais da Paraíba, a exemplo de Astier Basílio, André Cananéa, Renato Felix, Karoline Zilah e Ana Felipe. E também à querida advogada Jimenna Rocha, grande companheira de “bate-volta” nos cinemas locais nos fins de noite. Então vamos aos palpites.

Natalie Portman rouba a cena em Black Swan

13 fev

Cisne Branco e Negro na mesma expressão

Assistir a um filme munido de grande expectativa é sempre um perigo. Ficamos passíveis a se concentrar em achar concordâncias e divergências durante todo o filme, desprezando o próprio envolvimento com o mesmo. Sem ler críticas e despida de qualquer expectativa assisti a Cisne Negro (Black Swan, 2010) dirigido por Darren Aronofsky (Requiem for a Dream, 2010). E ainda sentindo o cheirinho de novo do Cinespaço, escrevo este post.

O que posso começar dizendo é que consegui me despir de expectativa quanto ao filme, o que não aconteceu com a atriz Natalie Portman (Closer, 2008) cotada para ser a grande vencedora da noite do Oscar deste ano pela atuação em Cisne Negro. Não consegui tirar os olhos dela, nem pra ver o filme. Sua respiração ao dançar, sua atuação marcante e até seu físico esquálido roubaram literalmente as cenas. E sim, ela já dançava balet antes, desde criança por isso foi tão precisa.

O filme conta história de Nina Sayers (Portman), uma bailarina obcecada pela perfeição que tentava atender aos anseios da mãe, uma bailarina aposentada que não teve muito destaque na carreira. Frágil e doce, Nina precisou sair de si para interpretar uma nova versão de O Lago dos Cisnes. Na versão, duas irmãs gêmeas se apaixonam pelo mesmo homem e uma (representada pelo cisne negro) rouba o grande amor da outra (o cisne branco).

A angustia constante do filme girava em torno dela. Nina é uma garota mimada, superprotegida, chorona, sofrida e frígida e de dentro dela precisa emergir a vilã, aquela que iria roubar o amor da irmã. Seu perfil como pessoa e bailarina cairiam como uma luva para interpretar o cisne branco, mas seus passos perfeitos e sua personalidade frágil não encaixavam como o cisne negro, sensual, envolvente e maquiavélico.

Nina e suas confusões mentais


Mas Nina, apesar de parecer uma boneca de louça deve ter um dos melhores beijos do cinema já que conseguiu o papel principal do espetáculo depois de lascar uma mordida no professor que tentou lhes roubar um beijo. E os beijos não pararam por aí, mas me recuso a fazer o que milhares de sites e especialistas já fizeram ao dar destaque a cena de sexo com sua rival, a bailarina Lily (Mila Kunis). Foram poucos os que conseguiram ver além de puramente duas mulheres “mandando ver” na cama.

A cena foi além da sensualidade. Além dos efeitos especiais que destacavam o estado psicológico de Nina, cada movimento da cena era regido, como em uma orquestra pela trilha sonora. Ao ouvir a música Opposites Attract (trilha original do filme), composta por Clint Mansell é possível lembrar a marcação da cena sem nem mesmo ver as imagens. Ao final da música só falta Lily dizendo “Sweet Girl”. A música também foi o back ground da entrega do Globo de Ouro 2011 quando Natalie Portman recebeu a estatueta.

O título da música, expressa realmente o proposito da cena, a meu ver. Naquele momento Nina se relacionava com o seu oposto, mesmo sendo outra mulher. A atração por Lyli aflorou pela vontade de Nina em ser como ela. Coisa para sessão de psicanálise, onde realmente é o lugar certo para Nina. Espero não ter ido longe demais nesta interpretação, mas como cinema é arte, nem tudo precisa fazer sentido, como me disse uma amiga.

Atriz Natalie Portman

A identificação com a personagem deve ter causado impacto em muita gente. Creio que existam muitas pessoas com um cisne negro aprisionado querendo bater suas asinhas. Bem, pra mim quando uma atuação chama mais atenção do que o próprio filme ou ele é ruim ou a atriz muito talentosa. Creio que a segunda opção é mais adequada. O rostinho sempre com uma expressão frágil, mal parecia a mesma pessoa ao incarnar o cisne negro. As próprias fotos de divulgação do filme onde Natalie Portam aparece com os olhos negros e os rosto branco não pareceser a mesma atriz. Enfim, foi uma grande atuação.

Dia 27 de fevereiro, quando acontece a cerimônia do 83º Academy Awards (Oscar) esperemos para ver o grande resultado. Ainda não vou apostar em Natalie Portman como melhor atriz porque ainda não assisti às outras concorrentes, mas minha torcida será para essa atriz que conseguiu mostrar que o limiar entre a arte e a vida é muito tênue. Muitas vezes não sabemos quando uma precisa acabar para que a outra comece.

Beto Brito lança maior cordel do mundo nesta quinta-feira no Espaço Mundo

20 jan

Imagine as viagens possíveis na peleja de dois repentistas por três anos seguidos, sem interrupção. Talvez nem ai caiba o livro “Bazófias de um cantador pai dégua: o maior cordel do mundo”, de 1.400 estrofes em versos de sete sílabas que ocupam 384 páginas a serem lançadas quinta-feira (20) pelo músico, cordelista e rabequeiro radicado na Paraíba, Beto Brito.

O lançamento será no Espaço Mundo, às 20h, seguido de show na praça Antenor Navarro com participação de Renata Arruda, Escurinho, Oliveira de Panelas, Totonho, Chico Correa, Kiko Guedes, Clã Brasil, Alex Madureira, Adeildo Viera e Guiraiz.

Com o último trabalho lançado em 2007, Beto Brito apresenta agora a publicação do maior cordel do mundo e, ainda este ano, o disco ‘Bazófias do maior cordel do mundo’, com 14 faixas com letras extraídas do próprio cordel. Segundo Beto, a publicação do livro com o maior cordel do mundo é uma tentativa de levar o cordel para prateleiras e espaços onde ele geralmente não tem vez. O artista destaca que o cordel e o repente deixaram um forte legado na cultura nordestina, e que muitos que são, inclusive, influenciados por eles nas suas produções, não lhes dão o valor que merecem.

“Falta a reverência merecida ao cordel. Ele merece estar no pedestal, nas prateleiras ao lado de Graciliano Ramos e outros autores. Precisa estar nas livrarias e  nas escolas, ser mais respeitado e mais estudado”, defendeu Brito, completando que não quer resgatar o cordel, já que cultura não se resgata, está sempre viva, mas quer colaborar para difundir e valorizar esta arte nordestina que deve ser vista com dignidade.

E o que esperar do que pode ser considerado uma obra de arte com várias significações? Beto Brito antecipa que a obra é uma referência aos violeiros. Vai das mentiras filosóficas contadas quando se inicia a peleja e o violeiro conta suas bazófias (pabulagens) para intimidar o “oponente”, até as viagens fantásticas que ambos podem fazer no que daria uns três anos ininterruptos de repente.

Beto conta que escolheu o Espaço Mundo pra fazer o lançamento como forma de valorizar o trabalho que vem sendo feito no local pelo Coletivo Mundo. “Mais que o lançamento do livro, aproveito para fazer uma grande celebração dos 15 anos de carreira e não há lugar onde me sinta melhor para fazer isso, senão no Centro Histórico”.

Para celebrar o lançamento, Beto convidou os artistas Renata Arruda, Escurinho, Oliveira de Panelas, Totonho, Chico Correa, Kiko Guedes, Clã Brasil, Alex Madureira, Adeildo Viera e Guiraiz. O show acontece no palco montado na Praça Antenor Navarro logo após o lançamento do livro no Espaço Mundo.

Fonte: Site Coletivo Mundo

Texto: Renata Escarião

Top 10: os melhores filmes de 2010

16 jan

Todo final de dezembro e início de janeiro é a mesma coisa. A tal da retrospectiva é esperada por todos. Em diversas áreas, como no jornalismo, cultura, cinema e televisão, esta época é quando os especialistas tomam suas anotações e param para lembrar tudo que leram, assistiram, gostaram e odiaram durante o ano que passou.

Mesmo sendo da opinião (como deixei claro no artigo “Os Melhores”) de que essas listinhas de especialistas são apenas divertidas e não devem ser entendidas como as bíblias de nenhuma área, resolvi fazer a minha listinha de filmes de 2010.

Vale salientar, antes que eu seja “apedrejada” por alguns críticos de plantão, que essa listinha de filmes se encontra no universo de filmes vistos por mim. O filme, “Toy Store 3” mesmo, escolhido o melhor filme do ano por Quentin Tarantino, eu ainda não assisti. Mas comparando à listinha dos dez mais do cinéfilo e editor do caderno de cultura do Jornal Correio da Paraíba, Renato Felix, até que não estou tão mal. Vamos à listinha.

1º Lugar: Tropa de Elite 2 (Brasil, 2010)

Qualquer semelhança com a realidade foi mera coincidência. Frase bem acertada para deixar claro que a realidade nua e crua presente do roteiro do filme não teve a intenção de, praticamente citar nomes, mas que sugeriu, sugeriu! Foi uma pena o filme só ter estreado nos cinemas depois das eleições.

2º Lugar: A origem (“Incepcion”, EUA, 2010)

Como disse Arnaldo Jabor em uma entrevista: “Quase ninguém entendeu aquele filme”. Podem até não ter entendido, mas que ficaram sem ar e paralisados durante todo o filme isso é praticamente unanimidade. A confusão criada entre o real e o imaginário foi determinante para deixar o expectador desconcertado.

3º Lugar: A Rede Social (“The Social Network”, EUA, 2010)

Um filme sobre como um nerd ficou milionário ao roubar uma ideia bruta e lapidá-la. É também um retrato da nossa sociedade dependente de exposição e ávida por se relacionar em redes sociais. Além disso, o filme mostra os bastidores de traições e jogos de interesse por traz deste projeto que, inicialmente, não tinha muita ambição.

4º Lugar: Preciosa – Uma história de esperança (“Precious: Based on the Book "Push" by Sapphire”, EUA, 2009)

Só de pensar que a realidade vivida pela protagonista acontece com muita gente em todo o mundo, o filme já vale o ingresso, pelo realismo. O filme impressiona pela capacidade da protagonista de manter a auto-estima em um ambiente totalmente oposto a este estado psicológico. Foi indicado ao Oscar de melhor filme.

5º Lugar: Um Sonho Possível (“The Blind Side”, EUA, 2009)

Sandra Bulock, vencedora do Oscar de melhor atriz pela atuação neste filme alimentou a esperança dos que não acreditam mais em boas ações e, que elas, mudam a vida de uma pessoa. O Filme também recebeu indicação ao Oscar.

6º Lugar: Tudo Pode Dar Certo (“Whatever Works”, EUA, 2009)

Extremamente inteligente, o filme faz uma reflexão sobre relacionamentos, tabus e conceitos que muitas vezes nos surpreendem pelo fato de dar certo.

7º Lugar: Guerra ao Terror (“The Hurt Locker”, EUA, 2009)

Apesar do tema da guerra no Iraque já estar saturado, o filme primou pelo aspecto emocional e psicológico do assunto. Levou a estatueta do Oscar de melhor filme e de melhor diretora para Khatryn Bigelow (ex-mulher de James Cameron que estava concorrendo na mesma categoria, pelo filme Avatar). As cenas de pura adrenalina para desarmar uma bomba e as super câmeras lentas, foram um atrativo a parte.

8º Lugar: As fugitivas (“The Runaways”, EUA, 2010)

Assisti ao filme só para conferir a atuação das protagonistas, por curiosidade. Mas me deparei com uma cinebiografia não só da banda homônima, mas de toda uma geração que começou a ver a mulher com outros olhos. Sexo, Drogas e Rock and Roll? Com certeza estavam presentes! Com menos sexo, mais drogas e muito Rock and Roll.

9º Lugar: Up (Up-Altas aventuras, EUA, 2009)

Uma animação feita para adultos, emotiva e que faz os mais sensíveis derramarem algumas lágrimas. Me incluo entre os chorosos. Ganhou duas estatuetas no Oscar.

10º Lugar: Avatar (EUA, 2009)

Como é característico de James Cameron, o filme impressiona pelos efeitos especiais e pelas bilheterias arrasadoras (a maior da história do cinema). Já o argumento sobre exploração dos recursos naturais do planeta é meio batido, mas alegrou aos ambientalistas e simpatizantes do tema. Foi indicado ao Oscar e ganhou as categorias que realmente eram merecidas (Direçã de arte, Efeitos Especiais, Fotografia).