Tag Archives: Coletivo Mundo

Beto Brito lança maior cordel do mundo nesta quinta-feira no Espaço Mundo

20 jan

Imagine as viagens possíveis na peleja de dois repentistas por três anos seguidos, sem interrupção. Talvez nem ai caiba o livro “Bazófias de um cantador pai dégua: o maior cordel do mundo”, de 1.400 estrofes em versos de sete sílabas que ocupam 384 páginas a serem lançadas quinta-feira (20) pelo músico, cordelista e rabequeiro radicado na Paraíba, Beto Brito.

O lançamento será no Espaço Mundo, às 20h, seguido de show na praça Antenor Navarro com participação de Renata Arruda, Escurinho, Oliveira de Panelas, Totonho, Chico Correa, Kiko Guedes, Clã Brasil, Alex Madureira, Adeildo Viera e Guiraiz.

Com o último trabalho lançado em 2007, Beto Brito apresenta agora a publicação do maior cordel do mundo e, ainda este ano, o disco ‘Bazófias do maior cordel do mundo’, com 14 faixas com letras extraídas do próprio cordel. Segundo Beto, a publicação do livro com o maior cordel do mundo é uma tentativa de levar o cordel para prateleiras e espaços onde ele geralmente não tem vez. O artista destaca que o cordel e o repente deixaram um forte legado na cultura nordestina, e que muitos que são, inclusive, influenciados por eles nas suas produções, não lhes dão o valor que merecem.

“Falta a reverência merecida ao cordel. Ele merece estar no pedestal, nas prateleiras ao lado de Graciliano Ramos e outros autores. Precisa estar nas livrarias e  nas escolas, ser mais respeitado e mais estudado”, defendeu Brito, completando que não quer resgatar o cordel, já que cultura não se resgata, está sempre viva, mas quer colaborar para difundir e valorizar esta arte nordestina que deve ser vista com dignidade.

E o que esperar do que pode ser considerado uma obra de arte com várias significações? Beto Brito antecipa que a obra é uma referência aos violeiros. Vai das mentiras filosóficas contadas quando se inicia a peleja e o violeiro conta suas bazófias (pabulagens) para intimidar o “oponente”, até as viagens fantásticas que ambos podem fazer no que daria uns três anos ininterruptos de repente.

Beto conta que escolheu o Espaço Mundo pra fazer o lançamento como forma de valorizar o trabalho que vem sendo feito no local pelo Coletivo Mundo. “Mais que o lançamento do livro, aproveito para fazer uma grande celebração dos 15 anos de carreira e não há lugar onde me sinta melhor para fazer isso, senão no Centro Histórico”.

Para celebrar o lançamento, Beto convidou os artistas Renata Arruda, Escurinho, Oliveira de Panelas, Totonho, Chico Correa, Kiko Guedes, Clã Brasil, Alex Madureira, Adeildo Viera e Guiraiz. O show acontece no palco montado na Praça Antenor Navarro logo após o lançamento do livro no Espaço Mundo.

Fonte: Site Coletivo Mundo

Texto: Renata Escarião

Varadouro Groove Orchestra: Sinergia de ideias

15 nov

Marcondes Orange, Nildo Gonzales e Rayan Lins

Mesmo com o youtube, o twitter entre outras redes sociais que disseminam experiências musicais e culturais das mais variadas vertentes possíveis, a Varadouro Groove Orchestra conseguiu surpreender em vários aspectos. A proposta de juntar 10 baterias tocando simultaneamente, acompanhados de dois trombones, uma guitarra e um baixo é no mínimo inusitada.

A Orchestra nasceu de um projeto despretensioso de seus integrantes, com data marcada para terminar, em uma única apresentação. A abertura do Festival Mundo 2010 que aconteceu no último dia 13 de novembro, logo na entrada da Usina Cultural Energisa, com o propósito de recepcionar o público nas primeiras horas de festival, foi o palco da primeira apresentação do grupo. “Nos reunimos três meses atrás para começar os ensaios para esta apresentação única. Mas a repercussão na mídia nos leva a pensar em outras apresentações”, disse Nildo Gonzales, membro da orquestra.

Uma banda normal com bateria, baixo, guitarra, alguns metais e o vocalista até pode caber numa van ou “no porta-malas de qualquer celtinha”, como disse Rayan Lins, outro membro do grupo. Mas a verdade é que a logística para fazer acontecer uma apresentação da Varadouro, exige uma certa preparação antes. “A Varadouro Groove é nosso projeto paralelo. Todos os integrantes do grupo possuem outras ocupações. Mas qualquer produtor interessado em alguma apresentação nossa, é só se planejar com antecedência, afinal 10 baterias não cabem em qualquer carrinho”, disse Rayan.

Uma bateria incomoda muita gente, imagina 10. Quando questionados sobre o motivo de escolherem a bateria como carro chefe da orquestra, Nildo buscou explicação nos ancestrais. “A percussão está enraizada nas nossas origens, na identidade musical do nosso povo. Nossos descendentes africanos e indígenas é que nos deram isso. Além disso, todo mundo já fez muita coisa, mas juntar 10 baterias para formar o som de uma só é mais difícil”, explica o músico.

O groove e o varadouro de onde vieram? Perguntou esta jornalista que vos escreve. “Varadouro é o nome do bairro onde cidade nasceu e onde o grupo também nasceu. Além disso, grande parte dos membros do grupo trabalham, ensaiam e vivem mais no Varadouro do que em casa. O próprio Coletivo Mundo fica no Varadouro. Este bairro ainda se tornará o berço da cultura independente na Capital. E groove somos nós”, brincou Rayan.

Juntar mais de 10 músicos batucando ao mesmo tempo e conseguir atrair um público cativo parece impossível, mas para esta galera não pensa assim. “A música não precisa de tanta “firula” para agradar o público. A Varadouro Groove Orchestra está aí pra mostrar que qualquer criança pode tocar bateria, é simples, é música”. Com esta declaração de Nildo Gonzales terminamos esta matéria com os descontraídos membros da Varadouro Groove Orchestra. Abaixo segue o link da apresentação na abertura do Festival Mundo 2010.

1ª Apresentação da Varadouro Groove Orchestra, no Festival Mundo 2010

A Varadouro Groove Orchestra, Deu Post!

 

A Retomada na cobertura do Festival Mundo 2010

15 nov

Após meses em hibernação, eis que o Deu Post ressurge em grande estilo. Se a proposta do blog é dialogar com cultura sob o olhar de uma jornalista no mínimo curiosa sobre o tema, não tinha lugar melhor para recomeçar do que o Festival Mundo 2010.

Além da própria intenção do evento que é reunir e servir de vitrine para as bandas do cenário alternativo da Paraíba e do Brasil, o que já é fascinante, existe a mágica de cobrir cultura que se configura uma tendência e uma vontade inicial deste despretensioso blog.

O evento em si proporciona uma ótima estrutura para facilitar qualquer cobertura jornalística, seja para site, blogs, jornais e até para televisão disponibilizando sala de imprensa, assessores competentes e organizados. Não deixa a desejar a nenhum outro festival. Mais um indício de que o Coletivo Mundo está se profissionalizando cada vez mais. E essa não é uma opinião só minha. Nas coletivas de imprensa que as bandas concediam aos jornalistas e blogueiros, o comentário era o mesmo.

Foto de ensaio da Varadouro Groove para o Festival

O Festival em si, para quem curte o cenário alternativo e fora do eixo, tudo é mágico. E para quem não curte também. Era só observar a diversidade de público presente. A abertura do evento trouxe a Varadouro Groove Orchestra, com 10 bateristas, que se juntaram com o único propósito de ensaiar para a ocasião. Mas o sucesso e a inovação foi tamanha que o projeto meteórico parece que vai ter vida longa. Em breve post sobre a Varadouro Groove Orchestra aqui no Deu Post.

Fora os shows com uma programação para agradar de pessoas metaleiras àquelas que curtem música instrumental, também vale a pena conferir a Exposição Coletiva de Artes V, além das projeções de vídeos do Tintin Mostra Mundo,  que unem imagem, apresentação de bandas e discotecagem ao vivo.

Realizado pelo Coletivo Mundo – que faz parte do Circuito Fora do Eixo – o Festival Mundo 2010, que está acontecendo entre os dias 13 e 15 de novembro, na Usina Cultural Energisa vai queimar a língua de muito paraibano despeitado com sua própria terra. Chegando a sua sexta edição, cada vez mais ganha espaço no imaginário coletivo da Capital. Além de estar fazendo jus à proposta de fomentar um mercado cultural independente local e criar espaços para consumo e circulação desta produção.

Festival Mundo 2010, Deu Post!