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Surpresaa! Foi o que faltou no Oscar!

2 mar

Ao contrário do resultado do 83º Academy Awards, o bolão do Deu Post teve um resultado que eu não esperava. Dois palpiteiros fecharam as apostas para o Oscar. Acertaram tudo! Astier Basílio e Renato Felix foram os grandes vencedores da noite do Oscar, assim como o sem sal “O Discurso do Rei”. Alguns devem estar dizendo: mas você votou no filme sem sal. Realmente votei. Ele era o favorito pela crítica mundial, assim como “A Rede Social”. Mas sair da cerimônia como o grande vencedor da noite foi um pouco demais para esta leiga vos escreve.  Falando em filme marcante, o prêmio cobiçado da noite poderia ter ficado com “A Origem” que me fez perder a noção e o fôlego no cinema.

A grande verdade é que a Academia tem medo de se deixar levar pelo novo. Pelo que está fora do clássico. Os palpiteiros do Deu Post, apostaram na tal tradição e acertaram. São grandes entendedores do Oscar, já acompanharam as cerimônias anteriores e realmente é difícil errar, já que a palavra de ordem é ser tradicional. Se eu fosse pelo coração só teria acertado a Natalie Portman e o Christian Bale.

Mas não foram só os resultados que ficaram no patamar do previsível. A própria cerimônia do Oscar carrega o mesmo adjetivo. São 83 anos obedecendo ao mesmo formato, ao mesmo ritual. Até a Santa Missa, deixou de ser rezada com o sacerdote virado de costas para os fiéis, em um crucial momento na história da Igreja. Por que não pode acontecer o mesmo com a cerimônia? Um pouco de modernidade, interatividade, que fosse além do que uma hastag (#oscars) divulgada nas saídas para os intervalos.

Tudo era tão chatinho que a coitada da atriz Anne Hathaway, que apresentou novamente a premiação ao lado do também ator James Franco, teve que suar a camisa, ou melhor, os vestidos para chamar a atenção. Foram oito no total, que eram acompanhados por mudanças no penteado também.  Ela deve ter ficado exausta, assim como os telespectadores, de ver a mesma coisa.  E eu ainda me martirizava por dormir em todas as apresentações do Oscar. Ainda bem que este ano, marquei de ver com uma amiga, que inclusive foi uma das palpiteiras do blog. Acompanhadas de um vinho, Carol Marques e eu, assistimos à cerimônia reclamando de quase tudo. Não é à toa que a audiência televisiva da Cerimônia caiu 7%, em relação ao ano passado, nos Estados Unidos.

Mas fiquei feliz por Natalie Portman e Christian Bale. Foram merecedores, a meu ver, absolutos. Já o Oscar de melhor ator, muitos apostaram na justificativa: Jeff Bridges já ganhou ano passado e a Academia vai dar o prêmio para Colin Firth. Parece até prêmio de consolação. Se fosse por mim, ia passar mais um ano sem ganhar o Oscar. Firth é um ótimo ator que… quase chega lá, sempre. Errei o palpite para atriz coadjuvante. Votei em Amy Adams, mas Melissa Leo também foi ótima. Merecido!

E para diretor eu realmente esperava que fosse David Fincher, por “A Rede Social” ou Christopher Nolan, por “A Origem”. Mas “O discurso do Rei” levou mais uma. Tom Hooper ficou com a estatueta de melhor diretor. Resumo da ópera? Me preparei toda, assisti aos filmes, fiquei acordada desta vez, fiz enquete no blog e … não gostei do geral. Ao menos a Natalie Portman, minha preferida da noite, foi coroada, como bem citou Karoline Zilah, em seu palpite.

Parabéns aos vencedores Astier Basílio e Renato Felix. Pela regra do desempate, quem leva o posto de melhor palpiteiro é Astier, que mandou a resposta primeiro. A brincadeira foi muito proveitosa. Conto com a participação de vocês em outras enquetes. Desculpem a opinião desta blogueira. Parece que eu desmereci a vitória de vocês criticando a Academia tradicionalista e previsível. Mas fui sincera. Vibraria mais se vocês errassem tudo e o Oscar fosse uma grande surpresa. Menos a Natalie Portman, claro.

Natalie Portman rouba a cena em Black Swan

13 fev

Cisne Branco e Negro na mesma expressão

Assistir a um filme munido de grande expectativa é sempre um perigo. Ficamos passíveis a se concentrar em achar concordâncias e divergências durante todo o filme, desprezando o próprio envolvimento com o mesmo. Sem ler críticas e despida de qualquer expectativa assisti a Cisne Negro (Black Swan, 2010) dirigido por Darren Aronofsky (Requiem for a Dream, 2010). E ainda sentindo o cheirinho de novo do Cinespaço, escrevo este post.

O que posso começar dizendo é que consegui me despir de expectativa quanto ao filme, o que não aconteceu com a atriz Natalie Portman (Closer, 2008) cotada para ser a grande vencedora da noite do Oscar deste ano pela atuação em Cisne Negro. Não consegui tirar os olhos dela, nem pra ver o filme. Sua respiração ao dançar, sua atuação marcante e até seu físico esquálido roubaram literalmente as cenas. E sim, ela já dançava balet antes, desde criança por isso foi tão precisa.

O filme conta história de Nina Sayers (Portman), uma bailarina obcecada pela perfeição que tentava atender aos anseios da mãe, uma bailarina aposentada que não teve muito destaque na carreira. Frágil e doce, Nina precisou sair de si para interpretar uma nova versão de O Lago dos Cisnes. Na versão, duas irmãs gêmeas se apaixonam pelo mesmo homem e uma (representada pelo cisne negro) rouba o grande amor da outra (o cisne branco).

A angustia constante do filme girava em torno dela. Nina é uma garota mimada, superprotegida, chorona, sofrida e frígida e de dentro dela precisa emergir a vilã, aquela que iria roubar o amor da irmã. Seu perfil como pessoa e bailarina cairiam como uma luva para interpretar o cisne branco, mas seus passos perfeitos e sua personalidade frágil não encaixavam como o cisne negro, sensual, envolvente e maquiavélico.

Nina e suas confusões mentais


Mas Nina, apesar de parecer uma boneca de louça deve ter um dos melhores beijos do cinema já que conseguiu o papel principal do espetáculo depois de lascar uma mordida no professor que tentou lhes roubar um beijo. E os beijos não pararam por aí, mas me recuso a fazer o que milhares de sites e especialistas já fizeram ao dar destaque a cena de sexo com sua rival, a bailarina Lily (Mila Kunis). Foram poucos os que conseguiram ver além de puramente duas mulheres “mandando ver” na cama.

A cena foi além da sensualidade. Além dos efeitos especiais que destacavam o estado psicológico de Nina, cada movimento da cena era regido, como em uma orquestra pela trilha sonora. Ao ouvir a música Opposites Attract (trilha original do filme), composta por Clint Mansell é possível lembrar a marcação da cena sem nem mesmo ver as imagens. Ao final da música só falta Lily dizendo “Sweet Girl”. A música também foi o back ground da entrega do Globo de Ouro 2011 quando Natalie Portman recebeu a estatueta.

O título da música, expressa realmente o proposito da cena, a meu ver. Naquele momento Nina se relacionava com o seu oposto, mesmo sendo outra mulher. A atração por Lyli aflorou pela vontade de Nina em ser como ela. Coisa para sessão de psicanálise, onde realmente é o lugar certo para Nina. Espero não ter ido longe demais nesta interpretação, mas como cinema é arte, nem tudo precisa fazer sentido, como me disse uma amiga.

Atriz Natalie Portman

A identificação com a personagem deve ter causado impacto em muita gente. Creio que existam muitas pessoas com um cisne negro aprisionado querendo bater suas asinhas. Bem, pra mim quando uma atuação chama mais atenção do que o próprio filme ou ele é ruim ou a atriz muito talentosa. Creio que a segunda opção é mais adequada. O rostinho sempre com uma expressão frágil, mal parecia a mesma pessoa ao incarnar o cisne negro. As próprias fotos de divulgação do filme onde Natalie Portam aparece com os olhos negros e os rosto branco não pareceser a mesma atriz. Enfim, foi uma grande atuação.

Dia 27 de fevereiro, quando acontece a cerimônia do 83º Academy Awards (Oscar) esperemos para ver o grande resultado. Ainda não vou apostar em Natalie Portman como melhor atriz porque ainda não assisti às outras concorrentes, mas minha torcida será para essa atriz que conseguiu mostrar que o limiar entre a arte e a vida é muito tênue. Muitas vezes não sabemos quando uma precisa acabar para que a outra comece.

Top 10: os melhores filmes de 2010

16 jan

Todo final de dezembro e início de janeiro é a mesma coisa. A tal da retrospectiva é esperada por todos. Em diversas áreas, como no jornalismo, cultura, cinema e televisão, esta época é quando os especialistas tomam suas anotações e param para lembrar tudo que leram, assistiram, gostaram e odiaram durante o ano que passou.

Mesmo sendo da opinião (como deixei claro no artigo “Os Melhores”) de que essas listinhas de especialistas são apenas divertidas e não devem ser entendidas como as bíblias de nenhuma área, resolvi fazer a minha listinha de filmes de 2010.

Vale salientar, antes que eu seja “apedrejada” por alguns críticos de plantão, que essa listinha de filmes se encontra no universo de filmes vistos por mim. O filme, “Toy Store 3” mesmo, escolhido o melhor filme do ano por Quentin Tarantino, eu ainda não assisti. Mas comparando à listinha dos dez mais do cinéfilo e editor do caderno de cultura do Jornal Correio da Paraíba, Renato Felix, até que não estou tão mal. Vamos à listinha.

1º Lugar: Tropa de Elite 2 (Brasil, 2010)

Qualquer semelhança com a realidade foi mera coincidência. Frase bem acertada para deixar claro que a realidade nua e crua presente do roteiro do filme não teve a intenção de, praticamente citar nomes, mas que sugeriu, sugeriu! Foi uma pena o filme só ter estreado nos cinemas depois das eleições.

2º Lugar: A origem (“Incepcion”, EUA, 2010)

Como disse Arnaldo Jabor em uma entrevista: “Quase ninguém entendeu aquele filme”. Podem até não ter entendido, mas que ficaram sem ar e paralisados durante todo o filme isso é praticamente unanimidade. A confusão criada entre o real e o imaginário foi determinante para deixar o expectador desconcertado.

3º Lugar: A Rede Social (“The Social Network”, EUA, 2010)

Um filme sobre como um nerd ficou milionário ao roubar uma ideia bruta e lapidá-la. É também um retrato da nossa sociedade dependente de exposição e ávida por se relacionar em redes sociais. Além disso, o filme mostra os bastidores de traições e jogos de interesse por traz deste projeto que, inicialmente, não tinha muita ambição.

4º Lugar: Preciosa – Uma história de esperança (“Precious: Based on the Book "Push" by Sapphire”, EUA, 2009)

Só de pensar que a realidade vivida pela protagonista acontece com muita gente em todo o mundo, o filme já vale o ingresso, pelo realismo. O filme impressiona pela capacidade da protagonista de manter a auto-estima em um ambiente totalmente oposto a este estado psicológico. Foi indicado ao Oscar de melhor filme.

5º Lugar: Um Sonho Possível (“The Blind Side”, EUA, 2009)

Sandra Bulock, vencedora do Oscar de melhor atriz pela atuação neste filme alimentou a esperança dos que não acreditam mais em boas ações e, que elas, mudam a vida de uma pessoa. O Filme também recebeu indicação ao Oscar.

6º Lugar: Tudo Pode Dar Certo (“Whatever Works”, EUA, 2009)

Extremamente inteligente, o filme faz uma reflexão sobre relacionamentos, tabus e conceitos que muitas vezes nos surpreendem pelo fato de dar certo.

7º Lugar: Guerra ao Terror (“The Hurt Locker”, EUA, 2009)

Apesar do tema da guerra no Iraque já estar saturado, o filme primou pelo aspecto emocional e psicológico do assunto. Levou a estatueta do Oscar de melhor filme e de melhor diretora para Khatryn Bigelow (ex-mulher de James Cameron que estava concorrendo na mesma categoria, pelo filme Avatar). As cenas de pura adrenalina para desarmar uma bomba e as super câmeras lentas, foram um atrativo a parte.

8º Lugar: As fugitivas (“The Runaways”, EUA, 2010)

Assisti ao filme só para conferir a atuação das protagonistas, por curiosidade. Mas me deparei com uma cinebiografia não só da banda homônima, mas de toda uma geração que começou a ver a mulher com outros olhos. Sexo, Drogas e Rock and Roll? Com certeza estavam presentes! Com menos sexo, mais drogas e muito Rock and Roll.

9º Lugar: Up (Up-Altas aventuras, EUA, 2009)

Uma animação feita para adultos, emotiva e que faz os mais sensíveis derramarem algumas lágrimas. Me incluo entre os chorosos. Ganhou duas estatuetas no Oscar.

10º Lugar: Avatar (EUA, 2009)

Como é característico de James Cameron, o filme impressiona pelos efeitos especiais e pelas bilheterias arrasadoras (a maior da história do cinema). Já o argumento sobre exploração dos recursos naturais do planeta é meio batido, mas alegrou aos ambientalistas e simpatizantes do tema. Foi indicado ao Oscar e ganhou as categorias que realmente eram merecidas (Direçã de arte, Efeitos Especiais, Fotografia).